Resenha: O diário de Carson Phillips

59. O Diário de Carson Phillips Autor: Chris Colfer

Editora: Benvirá

ISBN: 9788582400241

Páginas: 232

Sinopse: Carson Phillips está – graças ao bom Deus – no último ano do colégio e prestes a realizar um dos maiores sonhos de sua vida: estudar jornalismo na Universidade de Northwestern e deixar a pequena cidade de Clover e sua família problemática para trás. Mas, para isso, precisa sobreviver ao último ano, parar de questionar a autoridade dos professores e do diretor e, o que é mais importante, convencer seus colegas a participar de uma revista literária, que ele acredita ser seu passe de entrada para a universidade. Como esperado, nenhum estudante – além de Malerie, sua fiel escudeira – se interessa em colaborar. E, já que ninguém vai por bem, Carson é obrigado a usar de meios um tanto reprováveis. Munido dos segredos obscuros dos alunos mais populares do colégio, Carson e Malerie iniciam uma caçada para conquistar colaboradores. Engraçado e inteligente, O diário de Carson Phillips mostra o dia a dia “das trincheiras” – como Carson chama os corredores do colégio – e traz à tona, de maneira espirituosa, as relações complexas, e muitas vezes hilárias, que acontecem dentro das escolas. Esta história, que começou nas telas, teve seu roteiro assinado por Colfer, que também protagoniza o filme ao lado de Allison Janney, Christina Hendricks, Dermot Mulroney, Sarah Hyland e Allie Grant.

Resenha:

Chris Colfer é um querido, ficou conhecido por seu papel em Glee e esse foi o motivo inicial que me levou à compra, o segundo motivo foi um quote engraçado que eu vi, então, na verdade, eu pensei que fosse mais engraçado do que realmente é, o que não quer dizer que não seja engraçado, por que é, só que não é tanto quanto eu esperava depois do quote, veem como é maldade mostrar uma das melhores partes?

O livro aborda um clichê, garoto da cidade pequena que sonha em ter sucesso na cidade grande. Ainda que a ideia geral não seja a mais diferentona, eu nunca tinha lido nada parecido e acredito que a proposta que ele criou a partir de um clichê tenha conseguido se destacar. A narrativa é em primeira pessoa, em forma de diário mesmo, a leitura correu naturalmente e me deixou animada para conferir futuros trabalhos que o autor venha a publicar.

Carson, o editor do jornal da escola que também comanda o Clube de Redação, com orgulho, é MUITO decidido e inconvencível (leia-se cabeça-dura), acha que é superior a todos os outros moradores da cidade e não importa o que tiver que fazer, ele vai conseguir a vaga na Universidade dos sonhos, mesmo não recebendo incentivo de ninguém em momento nenhum. Foi por isso que o personagem ganhou minha simpatia, um lutador. Filho único, tem os pais separados, não mantem contato com o pai, a mãe é muito meio desequilibrada, a avó sofre de alzheimer e não lembra mais dele, o rapaz passou por muita coisa.

O mais perto de uma amiga que o protagonista chega a ter é a Melanie, uma fofa, mas ela não consegue acompanhar o raciocínio do Carson, então eles não desenvolveram uma relação de amizade que possa ser reconhecida como usual, o tempo todo ela tenta ajudar o personagem principal com alguma estória para o projeto/jornal/clube, mas ela não consegue ter ideias originais, embora na cabeça dela aquela ideia a pertença, é uma coisa meio louca, para a sorte do Carson ele conhece tudo que é livro, então, nada de plágio, Melanie.

Ficamos presos às divagações do protagonista, afinal de contas ele não se relaciona com as outras pessoas fora do ambiente escolar, o que eu achei um pouco fora da realidade, mesmo impopular, me parece improvável que uma pessoa não tenha nenhum amigo ou parente para conversar, isso deixa o foco só no Carson e o que ele acha. Outra coisa que me incomodou é que como vocês viram na sinopse, ele começa a chantagear os colegas por contribuição para o projeto e as fofocas que ele usa contra os colegas são jogadas nas mãos dele, simples assim… tipo, como seria bom se “Descoladinha de tal” colaborasse, minutos depois encontro “Descoladinha de tal” vendendo drogas.

O final é completamente aleatório, muito “WTF?”, surge do nada e “boom!!!”, explode na sua cara. E não, não é spoiler, se você fizer a tradução literal do título em inglês, vai ver que é “Atingido por um raio”, este é o diário dele.

A diagramação é um capricho a parte, tem a revista literária que foi publicada pelo nosso chantagista e usaram imagens do filme para ilustrar os personagens, um ponto super positivo.

Quote:

-Ainda precisamos de um lugar para o baile – Claire falou, dirigindo-se aos bobos da corte. – Eu estava pensando em Quail Gardens.

– Que tal o motel 6, na beira da estrada? – falei. – Afinal, todos vão pra lá depois do baile. Estou certo ou o quê?

Poster do filme:

poster

Nota: 3,5/5

Alguém aí já leu ou ouviu falar do livro? O que acharam? Me contem nos comentários.

Adendo tão aleatório quanto o desfecho do livro: Eu aqui achando que tinha acabado de criar o “inconvencível” – está em negrito na resenha-, mas a palavra já existia… poxa, o dicionário não percebeu que eu já tive decepção suficiente com o “quote canalha”? kkk… Um dia eu criarei uma palavra tão especial quanto esta. Vocês também gostam de inventar palavras?

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Resenha: Deixe a neve cair

 

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Autores: John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle

Editora: Rocco

ISBN: 9788579801754

Páginas: 336

Deixe a neve cair é um livro dividido em três contos, cada um escrito por um autor. Eu costumo não gostar de contos, mas esses são interligados e no mesmo espaço/tempo o que torna a leitura MUITO interessante, tem vários easter eggs -coisa que eu particularmente adoro!- e tem em média 100 páginas cada, o que na minha opinião foi o suficiente pra desenvolver uma estória legal e não parecer corrido. Tudo se passa na época do natal – tinha data mais óbvia pra postar essa resenha? provavelmente não!- e com muita neve.
Acho que posso dizer que só comprei esse livro por causa do John Green, sou parte do público fiel dele *-*. Se não o conhecesse provavelmente acabaria comprando pela capa fofa e pelas outras autoras que são bem conceituadas por pessoas que já leram algum trabalho delas, o que não é o meu caso, então fora o conto do John Green eu não tinha muitas expectativas, por que como gosto literário difere bastante (já quebrei muito a cara por causa disso) prefiro tirar minhas conclusões em relação a um autor só depois de ter lido algo escrito por ele.

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O Expresso Jubileu – Maureen Johnson 4/5
Nesse conto a narrativa é em primeira pessoa, assim como nos outros dois. A personagem principal é a Jubileu que é meio inocente e tem um complexo com o nome – pelo amor de Deus, que tipo de nome é Jubileu?! -, ela namora um rapazinho popular chamado Noah, é um namoro estável e confortável. Na véspera de Natal os pais delas são presos – por um motivo muito legal! -, ela tem que deixar de lado tudo o que planejou para o primeiro natal que comemoraria com o namorado e embarcar num trem em direção a casa dos avós, na Flórida. Pelo menos essa era a intenção, só que a nevasca não colaborou e o trem acabou atolado em Gracetown e ela decide explorar a área indo à uma Waffle House onde encontra o Stuart, um garoto fofo que teve seu coração partido a pouco tempo e a faz questionar se esse namoro “seguro” é realmente o que aparenta. MUITO clichê, mas vale a pena se você não se importa com essas fórmulas de “garota sem graça namora garoto popular e não sabe o porquê até que um garoto que tenha tudo a ver com ela apareça e a faça sentir o que o outro não fez”, divertido e despretensioso, o famoso “remédio para ressaca literária”.

O Milagre da Torcida de Natal – John Green 4/5
Amo a narrativa divertida e fluída do John e esse conto foi como uma migalha… acabou muito rápido! É sobre Tobin e seus amigos JP e Duke que abandonam o plano natalino inicial que consistia em uma maratona de James Bond por uma corrida – lembrando que está nevando muito – até a Waffle House – uma lanchonete – local, com várias líderes de torcida – que saíram do mesmo trem da Jubileu! -. É muita loucura correr na nevasca pela diversão com as líderes de torcida, mas, ok. O enredo é previsível, mas se desenrola rapidamente. O Tobin é o personagem principal padrão do John Green, o JP é o melhor amigo do personagem principal padrão do John Green e a Duke – isso mesmo uma garota, mas Duke é só apelido – tem uma personalidade forte, como todas as personagens femininas de destaque do John Green, ou seja, os personagens parecem os mesmos de outros livros escritos por ele e por isso perdeu pontuação, mas é bem divertido.

O Santo Padroeiro dos Porcos – Lauren Myracle 3/5
Que personagem principal chata!!! Não aguentava mais tanta autopiedade. O nome da criatura é Addie e sim, ela conseguiu fazer tudo virar uma merda. Namorou o Jeb – ele também estava no trem da Jubileu -, traiu o Jeb, terminaram, está sofrendo pelo término, blá, blá, blá. As amigas Dorrie e Tegan tentam tira-la do fundo do poço, mas tudo o que recebem é comiseração e egoísmo, a chance que ela tem de provar pro mundo que nem sempre as coisas são sobre ela é pegando na hora certa o presente -um miniporco -, que ela e a Dorrie compraram para a Tegan, uma apaixonada por porcos. A loja onde o porco está fica próxima a Starbucks onde a criatura trabalha e mesmo assim a menina consegue fazer uma bagunça. Eu só curti mesmo as últimas páginas porque tem um super easter egg. Apesar da personagem principal ser do jeito que é, a coisa não ficou arrastada, mas eu só não dispensaria esse último conto por causa dos personagens dos outros contos.

No final todos tem lições de moral, seguem a mesma linha, a mesma proposta e são uma boa pedida em qualquer época do ano, mas principalmente enquanto o clima natalino ainda está presente.

Feliz Natal!